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Shvoong Home>Livros>CANTIGA D’AMOR DE NUNO FERNANDEZ TORNEOL

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CANTIGA D’AMOR DE NUNO FERNANDEZ TORNEOL

por : magnus2    

Autor : SPINA, Segismundo
CANTIGA D’AMOR DE NUNO FERNANDEZ TORNEOL
(Séc. XIII, meados)
Quando mi-agora for’e mi alongar
de voz senhor, e non poder veer
esse vosso fremoso parecer,
quero-vus ora por Deus preguntar:
              Senhor fremosa, que farei enton?
              Dizerd’ ay! Coita do meu coraçon!
E dizede-me: em que vus fiz pesar,
por que mi-assi mandades ir morrer?
Ca me mandasdes ir alhur viver!
E pois m’eu for e me sem von achar,
             Senhor fremosa, que farei enton?
             Dizerd’ ay! Coita do meu coraçon!
E non sei eu como possa morar
u non vir’ vos, que me fez Deus querer
bem, por meu mal; por em quero saber:
e quando vus mon vir, nem vus falar,
             Senhor fremosa, que farei enton?
             Dizerd’ ay! Coita do meu coraçon
Dos trovadores mais sinceros da geração galego-portuguesa. Por motivos que desconhecemos, a mulher decidiu-se pelo afastamento do seu amante para longe do lugar onde ela vive. Essa deliberação é, para o trovador, sinônimo de morte. A humildade, uma das grandes virtudes da romântica cavalheiresca, traduz-se nesta poesia pela obediência do enamorado, disposto como está a cumprir o destino proposto pela dama: Quando mi-agora for’e mi alongar de voz...
O trágico não reside apenas no ato de afastar-se dela, de partir para outras terras, mas ainda no fato de alongar-se, de ir para regiões muito distantes. Para a maior intensidade do drama amoroso, os trovadores exploram com muita arte esses pormenores da motivação sentimental. Veja-se ainda o clima aflitivo expresso no refrão, a confirmar esta força criadora daqueles poetas que adivinharam ser o amor a mola essencial da existência: só a mulher lhe poderia dar resposta àquela interrogação pungente: Senhor fremosa, que farei enton?
O trovador mostra intuir a perda do objeto amado, o senso do amor profético aponta-lhe a precariedade dos bens que conseguimos.
Referência:

SPINA, Segismundo. A Lírica Trovadoresca: estudo, antologia crítica, glossário. 2. ed. Rio de Janeiro, Grifo: São Paulo, Ed. Da Universidade de São Paulo, 1972. Trovadors Galego-portugueses, Cantigas d’Amor;  páginas 310 e 311.

 
Publicado em: janeiro 29, 2008
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