Cumplicidade da
Palavra Quando a palavra foge
é porque está com medo...
às vezes se esconde
para não traduzir o mal em verbo.
A palavra é temperamental,
reage com dureza, clareza, leveza...
Ela é determinada.
Quando não quer sair
a gente tenta, insiste, suplica,
chama... dá-lhe apelido,
mas, ela não atende.
Quando a palavra foge,
é porque não concorda
com o que os homens fazem.
O que a palavra mais quer
é ficar na companhia da gente,
depois saltar dos nossos lábios,
brincar de escorregar em nossa língua macia,
pular de um dente para outro,
percorrer o céu da boca,
em seguida, no jato de ar quente
ser atirada para fora.
Daí, ela se abriga nos ouvidos atentos,
lança-se no universo, percorre estrelas em busca de morada,
afaga, afeta... ergue e demole.
A palavra é para-lavrar a terra do pensamento,
e fazer brotar, do que se planta,
o fruto que nos alimenta.
Não importa se esse fruto é doce ou amargo, todos querem provar o seu sabor.
À palavra, cabe cumprir a própria missão,
ou ser omissa para não ser cúmplice.
Mais críticas sobre Cumplicidade da palavra