UM
DIA-A-DIA ANÔNIMO
Paulo de Almeida Ourives Todos os
dias acordo às quatro horas da manhã e há muitas pessoas lá fora iniciando ou terminando seu dia de
trabalho como os motoristas de táxi, que trabalharam à noite, e já estão esperando a hora de encerrar o seu expediente, para ir para casa dormir. Enquanto isso outros colegas de profissão, mas de ônibus, estão caminhando em direção as garagens das empresas de ônibus de Campos, prontos para iniciarem mais um dia. Os padeiros aprontam a massa dos pães, que serão consumidos logo depois no café da manhã de milhares de pessoas. Enquanto os padeiros preparam a massa, outra massa de trabalhadores, sai à
rua, os jornaleiros, em suas bicicletas de carga. Eles se dirigem para as distribuidoras de jornais e revistas para buscar as últimas edições de revistas e jornais. Todos os dias, às cinco horas da manhã, quando as padarias, já estão terminando de fazer a primeira fornada de pães, algumas prostitutas e travestis que fazem
ponto na Rua Tenente-Coronel Cardoso, e, na esquina da Rua 21 de Abril, com Andradas, e na Aquidaban com Rua do Ouvidor, estão encerrando as suas noitadas. Neste exato instante, quando começo a tomar meu banho, o locutor Chico da Rádio, começa a fazer o seu programa diário, na Campos Difusora. Por volta de 5:30, quando o jornalista e radialista, Fernando Leite, entra no ar, pela Rádio Litoral FM, eu do outro lado da
cidade, já estou começando a me vestir; as padarias estão começando a abrir as suas portas; muitos ônibus com motoristas e trocadores saem das garagens, para iniciar o seu dia de trabalho, e levar os boêmios para casa, ou levar quem já acordou para o trabalho. Nesse horário em algum ponto da cidade muitas pessoas, já estão fazendo suas caminhadas em volta do Jardim São Benedito, ou pela ciclovia localizada na Avenida 28 de Março. Quando saio de casa, por volta das 5:45 sempre encontro duas senhoras fazendo caminhada pela ciclovia, da Avenida Felipe Uébe. Nesse momento, nos hospitais da cidade, os enfermos são acordados para tomar o remédio e verem a sua pressão arterial medida. Todos os dias, quando já estou na ciclovia, um senhor aparentando pouco mais de cinqüenta anos, faz a sua caminhada, acompanhado de seu cãozinho cinza, da raça Poodle. Quando chego no ponto de ônibus, cinco minutos ou mais depois de ter saído de casa, sempre encontro um funcionário do Hipermercado Sendas, até a chegada de sua colega de empresa, que também me parece familiar. Todos os dias, enquanto estamos no ponto, vem chegando uma senhora, acompanhada de sua filha. Hoje por acaso, cheguei um pouco antes, e pude ver o itinerário dela. Ela sai de alguma rua, depois da Sendas do Turf, e pega um ônibus em direção ao Jockey ou ao Farol. Depois que a filha embarca no ônibus, todos os dias, a sua mãe, ainda fica a olhar o ônibus indo embora, para somente, depois de cinco minutos, voltar para sua casa. Todos os dias, os funcionários do Hiper Sendas, pegam um ônibus, que vem na frente daquele que me serve. E isso sempre acontece, depois que o sino da Igreja Católica Tradicionalista, localizada na Rua Riachuelo, dá seis badaladas. Mas todos os dias, quando pego o ônibus, seja da Viação Brasil, ou Rangel, há dentro dele, pelo menos cinco funcionários da Transportadora Fadel, que já no início da manhã, por volta das 6 horas, já estão com bala na agulha, e começam a brincar uns com os outros dentro do ônibus, até as imediações do Jornal A Cidade, na Avenida Alberto Torres, depois da linha, da antiga Estação Ferroviária, que atualmente, é a sede do Colégio Anglo. Todos os dias, quando eu entro dentro do ônibus, eu
cumprimento o trocador, como uma forma de humanizar o dia-a-dia deles, que vivem apenas olhando as notas de um, dois, cinco e dez reais, ou dos vale-transportes, que depois de recolhidos vão para o cofre e a conta das empresas. Todos os dias, quando desço do ônibus, também agradeço pela viagem e dou um bom dia para o motorista. Enfim, todos osdias, por volta das seis e quinze, ou seis e vinte, encontro um dos porteiros da empresa de Vigilância e Serviços Gerais da MAC, e os cumprimento com um bom-dia. Às vezes, eu consigo chegar na faculdade antes do primeiro locutor da Rádio Educativa, o Romualdil. Quando chego depois dele, todos os dias, acendo a luz do corredor do segundo andar, tomo um pouco de água gelada, abro a porta da Coordenação de Comunicação, passo pela porta interna viro a direita, acendo o interruptor do corredor que dá acesso, a técnica da UniTV e Estúdio da mesma emissora, subo as escadas, verifico se a porta da Redação da rádio está aberta, mas como o Romualdil, nunca abre a porta, vou até o estúdio, o cumprimento, dou-lhe um bom-dia, torço para que ele tenha um ótimo dia de trabalho, pego as chaves, entro na sala da Redação, ligo os computadores, o ar condicionado, o rádio para ficar na escuta, e começo o meu dia de trabalho, exatamente pela internet, para ver o que aconteceu na noite anterior, e pela madrugada, antes de chegar a emissora. Depois disso, só em outro capítulo.
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