FAMA e ANONIMATO
GAY TALESE
PAULO DE ALMEIDA OURIVES
“(...)
as técnicas evoluem, mas a imaginação permanece”.
3 – DESCRIÇÃO DA PESQUISA
3.5 - O WORLD TRADE CENTER
Em meio a tantas histórias de vida, ricas em detalhes, Talese, descobre que um de seus personagens, escrito na parte II. “A Ponte”, iria anos mais tarde fazer parte da construção do World Trade Center, Edward Ianielli, o homem que tentou segurar Gerard McKee, quando ele caiu e morreu na ponte Verrazzano-Narrows.
Ianielli, lembra que se fosse fazer um parâmetro de sua vida, e da sua profissão, na construção de edifícios e pontes, ele lembrava com orgulho da ponte citada, mas por outro lado, uma obra da qual ele considerava como o ponto mais baixo de sua carreira, fora a construção das torres gêmeas, World Trade Center, que foram destruídas em 11 de setembro de 2001. A respeito dos detalhes técnicos e do porquê, que ele não gostava das duas torres que eram tidas como o orgulho americano, Ianielli, contou para Talese que,
“(...) Não é de seu feitio fazer críticas a engenheiros e projetistas, e ele se mostrou um tanto relutante em fazer reparos ao World Trade Center, principalmente agora que o lugar se tornou uma espécie de santuário. (...) durante os três anos de sua construção, ele e a maioria de seus colegas operários se espantavam com a leveza das vigas dos pisos, com a evidente fragilidade de toda a estrutura e com a precipitação com que os obrigavam a trabalhar para dotar o skyline de Nova York de duas torres tubulares que lembraram um par de gaiolas esticadas. “Frágil”, foi como Ianielli descreveu a construção do World Trade Center em uma de nossas conversas (...)”.
Receoso com a palavra “frágil” pronunciada para mostrar a qualidade da obra feita, Ianielli, posteriormente foi convencido pelo autor de que outras pessoas também haviam definido a construção das duas torres como tal. Como por exemplo, Ronaldo O. Hamburger, membro de uma equipe de engenheiros estruturais que estava avaliando o desempenho das duas torres gêmeas durante os ataques terroristas, e que resultaram no desabamento. “A armação dos pisos era relativamente frágil. Quando as torres começaram a ruir, as armações arrebentaram”, disse Hamburger.
Mais adiante o próprio Talese, conta alguns detalhes sobre as duas torres,
“Outros engenheiros disseram que cerca de 95% de todo o complexo era de “ar”, que fora construído sem colunas internas, para se obter um máximo de flexibilidade e de espaço para locação; e que isso explica por que o monte de entulho que restou depois do desabamento tinha apenas alguns andares de altura. – Não achamos muito concreto ali -, disse um operário da construção civil que trabalhava como voluntário na remoção de escombros. “Era principalmente pó, poeira – montes de poeira”.
Concluindo, o autor, consegue arrancar algumas palavras de um amigo de Ianielli, que ele, o autor, não identificou no livro, mas que aclara, sobre todos os aspectos o que aconteceu com a ponte.
“Quando penso no World Trade Center, penso em toda a hostilidade, em todos os maus sentimentos que se desenvolveram nele desde o começo (...) Nós que trabalhamos nele ficamos tão chocados e deprimidos como todo mundo com o que aconteceu a todos aqueles inocentes em 11 de setembro. Quanto aos edifícios, porém, para nós não foi surpresa que tenham desabado da forma como desabaram”.