FAMA e
ANONIMATO GAY TALESE PAULO DE ALMEIDA OURIVES “(...) as técnicas evoluem, mas a imaginação permanece”. 3 – DESCRIÇÃO
DA PESQUISA 3.1 - GAY TALESE Nascido em Ocean City, estado de Nova Jersey, em 1932, Gay Talese, conta em Fama &
Anonimato, o que os jornais não costumam contar, a vida de pessoas anônimas, seus dramas, suas ilusões, seus problemas. Muito menos relatar, o que o todos vêem, mas não tem coragem de contar, de narrar, de fazer das pequenas coisas da vida, uma história, uma matéria jornalística. No prefácio do livro, ele informa qual foi a característica principal do seu texto, e de como ele conseguiu fazer tantas matérias com um estilo completamente diferente, “Eu procuro seguir os objetos de minha reportagem de forma discreta, observando-os em situações reveladoras, atentando para suas reações e para as reações dos outros diante deles. Tento apreender a cena em sua inteireza, o diálogo e o clima, a tensão, o drama, o conflito, e então em geral a escrevo do ponto de vista da pessoa retratada, às vezes revelando o que esses indivíduos pensam durante os momentos que descrevo (...)”. Ainda no prefácio, ele conta como começou sua carreira de jornalista, “Comecei a
escrever na Esquire em 1960, com um ensaio sobre as pessoas anônimas de Nova York, uma série de vinhetas sobre as pessoas que ninguém vê, fatos estranhos e acontecimentos bizarros que me seduziram durante minhas andanças pela cidade como jornalista”. E conclui que, “Fama & Anonimato”, “(...) representa minha visão juvenil de Nova York, dinamizada por uma mistura de admiração e espanto, e me lembra também de quão destrutiva uma cidade pode se tornar, quanto ela promete muito mais do que pode cumprir, e de como estava certo E. B. White quando escreveu, muitos anos atrás: “Ninguém deve vir morar em Nova York a menos que esteja disposto a ter muita sorte”. A respeito das diferenças entre os textos do livro, e a maneira da velha escola americana de escrever, Gay Talese, conta que, “Fama e anonimato, com certeza marca a passagem do “velho” jornalismo que eu praticava no New York Times na década de 50 para o estilo de reportagem mais livre e mais desafiador que a revista Esquire aceitava e estimulava, sob a editoria do falecido Harold Hayes”. Sobre o seu estilo de escrever, ele mesmo, contextualiza e mostra que havia críticos a respeito da sua maneira de escrever, como por exemplo o, “Falecido crítico Dwight MacDonald, que tinha lá suas desconfianças em relação a esse gênero, pois achava, assim como alguns outros críticos, que seus autores deturpavam os fatos para conseguir um maior efeito dramático”. O autor, que se confessa um “serendipitoso”, por ter sujado os sapatos, foi capaz de usar um talento raro nos jornalistas de hoje, a observação e a sensibilidade para enxergar algo que estava diante dos olhos, mas que não era notícia. Se ao abrir os jornais, vemos dramas, violência, choques e batidas, em Fama & Anonimato, mergulhamos em uma Nova Iorque, completamente diferente. Ele, Talese, dá vida a cidade com seu relato, com a sutileza de seus detalhes e a visão ampla e geral de tudo o que acontece em uma das maiores metrópoles do planeta.