FAMA & ANONIMATO
GAY TALESE
PAULO DE ALMEIDA OURIVES
“(...) as técnicas
evoluem, mas a imaginação permanece”.
1 - RESUMO
Este trabalho irá mostrar as outras formas de se escrever uma matéria, com personagens que certamente jamais serão mostrados nas páginas de jornais. Gay Talese escreve com talento e faz um perfil da cidade de Nova Iorque, no início da década de 50. Os textos são o retrato em preto-e-branco, do dia-a-dia, dessa que é uma das maiores cidades do mundo. É uma história cheia de vida, que nunca foi publicada no New York Times, mas que deu ao autor a satisfação de ver o seu livro virar um best-seller, e liderar por um bom tempo, as listas dos livros mais vendidos nos Estados Unidos, e em outras partes do mundo. Gay Talese utilizou o New Journalism, como uma forma de escrever, contar e radiografar o seu momento.
2 - INTRODUÇÃO Ao trabalhar no New York Times, Gay Talese, foi engolido pelas normas da escola americana, que determinavam a escrita do texto através da pirâmide invertida, com lead, sub-lead e o complemento da matéria, dando ênfase, a criação de frases de efeito que chamassem a atenção do leitor, e de quem passava em frente a uma banca de jornal. Mas com o tempo, Gay Talese, procurou mudar o rumo de suas matérias, procurou mostrar que havia vida, além das páginas dos jornais, e das regras impostas pela editoria do jornal. Ele foi para as ruas, sujou os sapatos, e viu o que outros jornalistas não enxergavam, a vida, a história da cidade, contada por milhares de pessoas anônimas que quotidianamente, construíam Nova Iorque.
O motorista de ônibus, os cinemas, os taxistas, os porteiros de edifícios, os diferentes tipos de gatos (vadios, boêmios, e os caseiros), os músicos, dançarinos, as faxineiras da madrugada, e os operários que construíram a ponte Verrazzano-Narrows.
Talese, também mostrou o outro lado da vida. A vida de pessoas famosas, e seus estranhos mundos, que a mídia não era capaz de descobrir. Como por exemplo, o caso do jogador de beisebol, Joe DiMaggio e Marilyn Monroe. Para a mídia, só interessava as fofocas, o exterior, as baladas, com quem Marilyn saía, mas a mídia esquecia do principal, justamente o que o autor do livro, foi buscar, o sentimento, a questão humana, e a visão de DiMaggio, diante da tragédia de sua vida, como a separação e a morte de Marilyn. Humberto Werneck, em seu posfácio, não só faz um retrospecto sobre a arte de Talese, mas ensina que um jornalista, acima de tudo, deve saber sujar os sapatos, para conseguir escrever e contar uma história que agrade aos olhos de leitores ávidos em ouvir e ler uma boa história.