Ciclo da liberdade – o RESUMO deste ciclo é mais longo, por isso foi divido em PARTE 3 (A, B, e C). A
poesia apresenta o cenário onde vão se desenrolar os fatos: enumeração, sobretudo, dos lugares e fixação na névoa que chega às ruas, move a ilusão de tempo e figuras e que trará, fatalmente, o pranto e a saudade: A névoa que se adensa e vai formando nublados reinos de saudade e pranto. O "país da Arcádia", sediado na Vila Rica de outrora (Ouro Preto), com seus pastores e rebanhos, Nises, Marílias e Glauceste não passou de um ideal na literatura. Pelos céus, nuvens negras de ódio e ambições ameaçam a doutorada terra de Ouro Preto: uma "nuvem de lágrimas" está prestes a desabar sobre "o país da Arcádia" - a "pastoral dourada": O país da Arcádia, súbito, escurece, em nuvem de lágrimas. Acabou-se a alegre pastoral dourada: pelas nuvens baixas, a tormenta cresce. (Romance XX) E a Arcádia serena ficava cada vez mais carregada: agitação, correrias, ódio, ambições, países que se libertam, "a Europa a ferver em guerras". Portugal com uma rainha louca: - um imenso tumulto humano. As idéias fervilhavam as mentes de padres e poetas. Mas, por trás das janelas, ouvidos que escutam... O país da Arcádia estava carregado de "idéias". Um príncipe que
morre, filho de D. MariaI, a rainha louca, em 1788, é também uma esperança que morre. Nas exéquias do príncipe, muita agitação. Alguma coisa está sendo tramada - "já ninguém quer ser vassalo" e: A
palavra Liberdade vive na boca de todos: quem não a proclama aos gritos, murmura-a em tímido sopro. (Romance XXIII) Com pouco mais surgirá a
bandeira da liberdade... "Atrás de portas fechadas", os líderes de "fardas e casacas (= militares, poetas), junto com batinas pretas" discutem e planejam a
inconfidência. A bandeira com seu lema é escolhida e há um sobressalto, quando se fala em liberdade: E os seus tristes inventores já são réus - pois se atreveram a falar em Liberdade (que ninguém sabe o que seja), Liberdade - essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda!) (Romance XXIV) Por causa dessa palavra - espinha dorsal do homem de todos os tempos - um rio de sangue está iminente: uma carta anônima que se recebeu "fala de
rios propínquos / rios de lágrimas e sangue / que vão correr por aqui". E na "semana santa de 1789", enquanto na França a liberdade rompia os grilhões da Bastilha, nas terras douradas de Minas, a mesma idéia se fermentava para ser depois enforcada, na pessoa de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes: Deus, no céu revolto, seu destino escreve. Em baixo, na terra, ninguém o protege; é o talpídeo, o louco, - o animoso Alferes. (Romance XXVII) Mas "no grande espelho do tempo", a poetisa vê também "o impostor caloteiro" Joaquim Silvério: (quem em tremendos labirintos prende os homens indefesos e beija os pés dos ministros!) (Romance XXVIII) No "riso dos tropeiros" está colocado um aspecto de Tiradentes que a tradição confirma (inclusive um lira de Gonzaga), a loucura, pois: falava contra o governo, contra as leis de Portugal. (Romance XXX) Sem dúvida, essa loucura deve ser entendida de outra forma: a audácia de um homem que se levanta, sem força e sem armas, contra um governo despótico e tirânico. É o que parece querer dizer a poetisa, no Romance XXXI: (Pobre daquele que sonha fazer bem - grande ousadia - quando não passa de Alferes de cavalaria!) É certamente por isso que "o povo todo seria", porque o povo nunca ri sem razão...
Mais críticas sobre ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA - PARTE 3-A : "O CICLO DA LIBERDADE"