Ciclo do
diamante - Continua a corrida alucinante. Agora é a vez do diamante nas regiões do Serro Frio e do
Tejuco, onde vive o contratador João Fernandes, "dono da terra opulenta". Chega às suas terras, com o fim de persegui-lo, o
Conde de Valadares, homem enganoso e fingido. Hospeda na casa de João, que lhe abre a casa e o coração das mulatas, menos o de Chica da Silva. Sua riqueza é imensa e o fingido conde suspira de cobiça: Deste tejuco não volto sem ter metade das lavras, metade das lavras de
ouro, mais outro tanto das catas; sem meu cofre de diamantes, todos estrelas sem jaça, - que para os nobres do Reino é que este povo trabalha! (Romances XIII) O
Romance XIV apresenta Chica da Silva no seu império de luxo, resplandecente de ouro e diamante. Comparada à rainha de Sabá, ela tinha mais brilho que Santa Ifigênia, a princesa núbia, em dias de festa: (Coisa igual nunca se viu. Dom João Quinto, rei famoso, não teve mulher assim!) Vendo o conde tão interessado pelo João, Chica cisma nessa falsa amizade e previne a João Fernandes: Hoje, todo o mundo corre, Senhor, atrás de riqueza. (Romance XV) Dito e feito: o conde, traindo a hospedagem de João Fernandes, leva-o preso, como Chica da Silva pressentira. É a ambição do ouro (ou do diamante, que é sempre a mesma coisa) que a todos embriaga e corrói: Maldito o conde, e maldito esse ouro que faz escravos, esse ouro que faz algemas, que levanta densos muros para as grades das cadeias, que arma nas praças as forças, lavra as injustas sentenças, arrasta pelos caminhos vítimas que se esquartejam! (Romance XVII) Os velhos do Tejuco, na sua experiência, pensam com a amargura na "febre que corta o Serro Frio". João Fernandes, que até então era senhor opulento, fora levado num navio "igual a um negro fugido", o que dá margem a esta refleção da autora: (Que tudo acaba! Quem diz que montanha de ouro não desaba?) (Romance XVIII) Acabara-se o
tempo de João Fernandes e de Chica da Silva, cravejada de brilhantes. Mas: Sobre o tempo vem mais tempo. mandam sempre os que são grandes: e é grandeza de ministros roubar hoje como dantes vão-se as minas nos navios... Pela terra despojada, ficam lágrimas e sangue. (Romance XIX) Mas o ouro e o diamante, que brilharam tão intensamente nas Minas Gerais, eram apenas prenúncio de um brilho maior. Um sonho milenar, um ideal de um
sol que despertaria - o sol da liberdade que a todos iluminaria e que nem rei nem rainha, por mais despóticos que sejam, podem tirar do homem! Não importa que haja eclipses de vez em quando: o sol sempre volta a brilhar depois de um eclipse...
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