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TRISTE E COMOVENTE HISTÓRIA DE UMA HUMILDE E TÍMIDA ROCEIRA QUE FOI OBRIGADA A DEIXAR SEU RECANTO QUERIDO PARA IR MORAR COM OS PRIMOS NA CIDADE.
Biela, a jovem caipira, alma singela e pura, órfã de mãe, criada por um pai bastante doente e sofredor, foi viver na
CIDADE em um ambiente hostil aos seus hábitos e à sua índole, mas resignada diante de tudo, até mesmo ao peso do padecimento e diante da morte.
O AUTOR E A SUA OBRA
Pela originalidade de seu estilo, pela movimentação que dá aos seus personagens, pela precisão e naturalidade que se pinta os quadros por onde se desenrolam os fatos, AUTRAN DOURADO se tornou um dos mais aplaudidos ficcionista da atualidade.
Natural de Patos, a bela cidade do interior de Minas Gerais, em que passou a infância, viveu parte da mocidade nas Alterosas, formando-se em direito pela universidade de seu Estado. Mudando-se para o Rio de Janeiro, não esqueceu os costumes e a gente do hinterland mineiro, as paisagens rurais, os encantos campestres, levando tudo para os seus livros, e com mais vivacidade em UMA
VIDA EM SEGREDO. . O êxito de seus escritos já o tornou conhecido além dos limites de nossa Pátria. Alguns de seus romances foram traduzidos para o francês, alemão e espanhol.
Usando uma linguagem lisa e corrente, entrecortada de metáforas anti-acadêmicas, descreve de maneira magistral as coisas do campo e copia com fidelidade extrema a fala dos rústicos e singelos personagens.
Pondo uma sublimidade coloria no que há no que há de mais chão e obscuro, consegue levar o leitor do quadro mais frio ao mais patético num ritmo admirável.
A prima Biela, tão insignificante no começo, personalidade sem nenhum brilho, vai aos poucos tendo uma presença relevante no ambiente para o qual não estava preparada, angariando a atenção e a simpatia dos que a cercam e do próprio leitor que se enternece por sua sorte na sucessão dos capítulos.
A
saudade que Biela
sente de seu sítio, do riachinho correndo, do chuá-pá do monjolo; da água enchendo o cocho, do ranger do cepo na tranqueta etc., é essa dolorosa e ardente saudade que vive dentro de nós, saudade bem brasileira, nascida no banzo africano e da nostalgia lusa, pois mal podemos distanciar-nos disso ou daquilo sem que levemos tudo no coração e na alma.
Biela, introvertida, Biela sofredora, Biela desolada, curte na carne e no espírito um grande padecimento. Seu consolo é Mazília , uma das
filhas de Constança – Mazília com seu piano, com sua música, com sua ternura, a única que não zomba dela, a única que tem palavras meigas para com ela. E quando a vida para alargar-se para Biela com a promessa de um casamento, o filho de seu Zico, o ingrato e fingido Modesto, foge para bem longe, deixando-a estarrecida e torturada. As filhas de Constança vão casando-se. Mazília casa-se e vai para os sertões distantes,. Biela fica sozinha.
sozinha e mais triste. Mais triste e doente. A tosse impertinente. Para que remédio? Apieda-se de um cachorro faminto e vagabundo. Cuida dele com carinho. Chama-o de Vismundo. Ela, cada vez mais fraca. Passa a lembrar-se do dia em que deixou o seu cantinho. Agora, aquela solidão, quebrada pelos netinhos de Constança. E ela voltada para o Vismundo. O doutor manda que ela vá para a Santa Casa. Conrado e Constança, que ficaram no lugar de seus pais, dão-lhe todos os cuidados. Ela não quer ficar no quarto, quer ir para a enfermaria das mulheres, onde poderá conversar com as pessoas tão simples quanto ela. Conrado se desespera. Sente-se ferido no orgulho. Entre as indigentes? Não. Mas ela quer e vai. E quer ver mais uma vez o seu querido Vismundo. E fecha os olhos para sempre, cheia de resignação e de paz.
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