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Resumos e revisões curtas

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Shvoong Home>Livros>JUCA MULATO

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JUCA MULATO

por : magnus2    

Autor : MENOTTI DEL PICCHIA
UM POEMA PROFUNDAMENTE HUMANO, QUE VEM SENDO FESTEJADO EM SUCESSIVAS EDIÇÕES, DESDE O MOMENTO RUTILANTE DO PARNASIANISMO
AOS DIAS DA POESIA MODERNISTA.   JUCA MULATO é o poema do mestiço brasileiro, que permanece aureolado por seu extraordinário primor, pela ardorosa maneira com que narra o sofrimento de um homem do campo e as magníficas cores com que se vê pintada a nossa natureza.   O AUTOR E A SUA OBRA.               Não foi sem razão que Humberto de Campos afirmou se Menotti Del Picchia um dos melhores poetas e de com maior renomada em todo o Brasil. Deveras, o autor de Juca Mulato, livro, que na sua estréia recebeu os mais altos elogios de toda a crítica nacional e teve logo repercussão no exterior, vem, desde a rica fase do parnasianismo à simplicidade do modernismo, revelando ao Brasil e a força e a beleza de sua inspiração, todo o encanto de seus versos veemente admirados por quantos tiveram o prazer de lê-los e decorá-los.             Tal a maravilha de Juca Mulato, que o poema já foi vertido para diversos idiomas, como o espanhol, o italiano, o francês, o polonês, o húngaro e o japonês, aparecendo ainda em fragmentos em outras línguas.             Podemos dizer sem medo de errar, que, depois de I- Juca Pirama, de Gonçalves Dias, é o poema que contém mais vibrante brasilidade de quantos hão surgido, no gênero, em nossa literatura.             Coelho Netto, fazendo a apreciação do livro na época em que foi dado ao público pela primeira vez,  dirigiu ao autor esta palavras de incontido entusiasmo: “No Juca Mulato aparece-me o nacionalista cantor da terra materna e das almas irmãs. No seu poema de mestiço sente-se que se abrem as cores da alvorada da arte brasileira, com o clarão do nosso sol, com os perfumes das nossas flores, o murmúrio das nossa águas, o chilreado dos nossos pássaros. É com poemas tais que havemos de romper caminho no mundo e não com arremedos franceses e tafularias de acarreto.” O próprio autor, que já escreveu numerosos livros, considera ser o Juca Mulato a obra mais meritória de toda a sua vida. Escrito no calmo e bucólico ambiente de uma fazenda paulista, “na paz e no silêncio do parque que se debruça sobre o Cubatão”, conforme revelação do autor, pôs ele a palpitante obra todo o valor de sua alma lírica e todo o seu devotamento pelas coisas do campo. Voltou-se o poeta para o matuto em seu singelo ambiente, idealizou os encantos da filha da patroa, a paixão que atormentaria o pobre Juca , antes tão alegre com o seu Pigarço, o cavalo que o acompanhava nas façanhas e nas aventuras , seu manso confidente, pôs em todo o poema as cores do cenário campestre, humanizou as coisas, divinizou a Natureza e tornou coloquial  e divina a fala do humilde roceiro. Este é o fascinante poema que enternece e entusiasma a quantos que o leiam, como o fez ver Júlio Dantas, o elegante escritor português, habituado a um ambiente  em que predominava o requinte da moda, no seu comentário, após a leitura de tão suave e encantadora poesia, quando veraneava  na aprazível, Nice: “...eu próprio, endurecido no ofício de escrever , senti, ao ler os seus versos, que os olhos se me enevoavam e umedeciam de lágrimas.” Que mais se poderia dizer sobre o imortal poema de Menotti Del Picchia?  Adelino Moreira compôs  uma música a partir do perfil de “Juca Mulato”, gravado por Nelson Gonçalves.       Juca Mulato Nelson Gonçalves Composição: Adelino Moreira Dava gosto ver, o Juca Mulato,
De machado em punho derrubando a mata,
Cada golpe forte que ele desferia,
O cedro chorava e a mata tremia
Mas o Juca Mulato, gostava da Rosa,
Porém a Rosinha com um outro casou,
E nessedia seu braço tremeu,
A mata cresceu e o machado enferrujou
Depois deu pena ver, o Juca Mulato,
De arado parado e terra por virar,
No rancho do Juca o fogo apagado,
Só pinga não faltava e nem podia faltar
Faz agora um mês, que o Juca morreu,
A saudade constante o pobre venceu,
Mas todas as tardes a Rosa formosa,
Sobre a campa do Juca, vai por outra rosa.   Em Big Brother Brasil (BBB 08) , março de 2008, Pedro Bial recitou uma parte interessante do poema “Juca Mulato”. Eis o fragmento: E, na noite estival, arrepiadas, as plantas
tinham na negra fronde, umas roucas gargantas
bradando, sob o luar opalino, de chofre:
"Sofre, Juca Mulato, é tua sina, sofre…
Fechar ao mal de amor nossa alma adormecida
é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida…
Ter, a um sonho de amor, o coração sujeito
é o mesmo que cravar uma faca no peito.
Esta vida é um punhal com dois gumes fatais:
não amar é sofrer;  amar é sofrer mais"!
 
Publicado em: janeiro 20, 2008
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