Em seu livro "Teoria Estética" Theodor W. Adorno, ao discorrer sobre o findamento de inúmeros temas, cita a literatura de adultério como um exemplo do sintoma do declínio da arte; a crise no âmbito familiar e o enfraquecimento da fidelidade
conjugal tornaram o gênero pouco atraente. Porém, o filósofo da Escola de Frankfurt aponta "Madadme Bovary" de Flaubert como uma
obra que contornou o declínio do tema.
Texto autêntico "Madame Bovary" erigiu-se como referência para histórias sobre sonhos, desejos,
aventuras românticas em meio à vidas familiares e sexuais insatisfatórias.
ema é uma jovem devaneadora, leitora compulsiva de romances, que se casa com o médico Charles Bovary que salva a vida do seu pai. Ema esperava uma união repleta de aventuras, emoções e romantismo, mas
encontra um homem feliz com o que obteve profissionalmente e encantado por ter se unido pelo vínculo conjugal com uma bela e fascinante moça. Entre o casamento, o nascimento da filha e dois malfadados casos de infidelidade, Ema percorre um caminho de euforia, ilusão e tragédia. O texto de Flaubert apresenta uma mulher sufocada por um ambiente social altamente mesquinho, no qual o recalque e a afetação prejudica a satisfação plena e o florescimento da paixão. Ema Bovary é traída pelas suas esperanças e expectativas. Sentimental não suporta a indolência do marido e não consegue resignar-se as convenções sociais. Até que ponto as regras que nos pautamos socialmente podem constranger-nos?
Flaubert, um dos principais nomes do realismo, realizou uma obra comovedora e vigorosa, na qual o desejo humano encontra como maior obstáculo: a sociedade.
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