A
Semiologia segundo Peirce e Saussure
Paulo de Almeida Ourives
A Semiologia é a ciência que estuda
os sistemas de signos, como as linguagens, os códigos, as sinalizações, etc. Esta definição inclui a língua como parte da
semiologia. “A semiologia é o estudo dos sistemas de signos não lingüísticos”.
A semiologia foi concebida por Ferdinand Saussure como a “ciência que estuda a vida dos signos no seio da vida social”.
“A língua é um sistema de signos exprimindo idéias, e por tal comparável à escrita, ao alfabeto dos surdos-mudos, aos ritos simbólicos, às fórmulas de cortesia, aos sinais militares, etc. Só que a língua é o mais importante destes sistemas. Pode pois conceber-se uma ciência que estude a vida dos signos no seio da vida social, que formaria uma parte da psicologia geral; dar-lhe-emos o nome de semiologia (do grego semeiôn, <signo>). Será ela a mostrar-nos no que consistem os signos, que leis os regem. E dado que ainda não existe, não se pode dizer o que virá a ser; mas tem direito à existência, o seu lugar está já determinado. A lingüística não é mais do que uma parte desta ciência geral – as leis que revelará a semiologia serão aplicáveis à lingüística, e esta ficará assim ligada a um domínio bem definido no conjunto dos factos humanos”. (A Semiologia, Pierre Guiraud, pg. 8) Na mesma época Charles Sanders Peirce, concebeu do mesmo modo uma teoria geral dos signos sob o nome de semiótica. Saussure põe o acento na função do signo, Peirce sobre a função lógica. Mas os dois aspectos estão em estreita correlação e as palavras semiologia e semiótica recobrem hoje a mesma disciplina, sendo o primeiro termo usado pelos europeus, e o segundo termo pelos anglo-saxões.
Os filósofos mais prudentes encaram apenas o estudo dos sistemas de comunicação por sinais não lingüísticos. Outros seguidores de Saussure estendem a noção de signo e de código a formas de comunicação tais como os ritos, cerimônias, fórmulas de cortesia, etc.
A função do signo é comunicar idéias por intermédio de mensagens, Roman Jakobson definiu seis funções lingüísticas, são elas:
Função Referencial – define as relações entre a mensagem e o objeto a que se refere.
Função Emotiva – define as relações entre a mensagem e o emissor.
Função Conativa ou Injuntiva – define as relações entre a mensagem e o receptor, já que toda a comunicação tem por
finalidade obter deste último uma reação.
Função Poética ou Estética – é definida como a relação da mensagem consigo mesmo.
Função Fática – tem por finalidade o afirmar, o manter ou o cortar a comunicação.
Função Metalingüística – tem por finalidade definir o sentido dos signos que podem não ser compreendidos pelo receptor.
Um exemplo do significado dos signos são as cartas do baralho, que as cartomantes traduzem da seguinte forma:
Copas e Paus – são favoráveis.
Ouros e Espadas – são desfavoráveis.
Copas – designam amor e êxito.
Paus – designa amizade e dinheiro.
Ouros – designa mentiras, viagens e notícias.
Espadas – designa o ciúme e o fracasso.
Já
o rei, a dama e o valete, representam um homem, uma mulher e um jovem.
Bibliografia
Guiraud, Pierre – A Semiologia.