Para Antonio Carême (1783-1833) tido como o cozinheiro dos reis e o
rei dos cozinheiros, as belas-artes eram constituídas de cinco elementos:
pintura, poesia, música,
escultura e
arquitetura, "cujo ramo principal é a confeitaria". O mestre assim, expressava a força da gastronomia como grande diretriz do
século XVIII pela busca do prazer. Nestes ensaios repletos de informações e reflexões o sociólogo discorre sobre gosto, paladar, alta gastronomia, baixa gastronomia, enfim, tudo o que envolve a arte de satisfazer o corpo e o espírito por meio do alimento e sua alquimia de transformação. A abordagem de Carlos Alberto Dória é histórica e antropológica. O autor discorre com propriedade tanto sobre os novos feitos dos mais estrelados chefs quanto sobre o que chama de "o enigma do churrasco de
gato". Com categoria, o sociólogo e ensaísta decifra a charada: o sucesso de produtos artesanais como o famigerado churrasquinho vendido pelas esquinas, o yakisoba da barraquinha ou o hot-dog deriva, "talvez, de simulacros do mundo impenetrável dos restaurantes, shopping centers, quilos e bares. Impenetráveis por barreiras de renda. Por outro lado, ostentam um improviso sem limites; pois estão livres das operações seriadas e precisas que resultam, no mundo todo, em sanduíches sempre iguais".
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