Por que será que a Neurose Obsessiva é considerada sempre um pouco ridícula?
Talvez porque o
obsessivo seja o “careta” entre os neuróticos, o mais organizado, o mais certinho, o mais limpo, o mais...
Ainda há quem diga que seus
sintomas são “picuinhas” e que pequenos detalhes de ordem cotidiana pelas quais um histérico passaria batido, é onde o obsessivo se prende, se fixa.
O obsessivo é o que tenta barrar qualquer excesso no gozo do Outro, que possa lembrar-lhe tudo quanto ele mesmo não se permite.
É o sujeito da incerteza, ou melhor, da dúvida, é aquele que não sabe gozar, gozar da vida, gozar do Outro, gozar do gozo. É o medroso, o inseguro, o legalista, o bedel, o síndico, o culpado, o mimadinho da mamãe, o que sempre está sozinho, enfim, o que não sabe brincar.
Mais ainda assim, a Neurose Obsessiva é nomeada de Neurose Contemporânea por Excelência.
Há uma observação de Freud, que consideramos importante e válida até hoje, descrita em 1925, em “
Inibições, sintomas e angústia:”
“A Neurose Obsessiva é, sem dúvida, o objeto mais interessante da pesquisa analítica, entretanto o problema que ela apresenta ainda hoje não está solucionado.”2 Em verdade, este trabalho é apenas uma singela reflexão, mais uma, desta neurose que não é nem um pouco “ridícula” e sim uma incógnita.
Isso só nos faz pensar, que só uma obsessiva mesmo para escrever sobre neurose obsessiva, até porque se fosse uma histérica, ficaria entediada. Como a autora citada no início desta introdução, por exemplo.