Um homem e uma mulher. Os dois
igualmente inteligentes, bem articulados, espirituosos, rápidos em
construir
respostas espertas a todo tipo de afirmação ou pergunta. É
nas falas de Beatriz e Benedicto, dois dos personagens mais queridos do
público de Shakespeare, que se fundamenta a parte cômica desta peça. Quando se encontram os dois, armam-se
verdadeiros combates entre esses esgrimistas das palavras, dois
alérgicos ao
casamento, para o prazer do leitor ou platéia.
O lado trágico da peça nasce de pérfida
intriga armada por um
homem despeitado e vingativo, carregado de ódio,
e que se descreve assim: "é mais condizente com meu sangue ser
desdenhado por todos que pavimentar a estrada para roubar a afeição de
alguém. Assim é que, muito embora não se possa dizer de mim que sou um
homem honesto e bajulador, não se pode negar que sou um patife franco e
leal". Com provas falsamente arranjadas, uma inocente donzela é acusada
de ser uma rameira. A história tem danças, festa de mascarados,
cerimônia de casamento; tem flertes, tem príncipes e condes, damas
nobres e damas de companhia; e a história tem calúnias, desafios para
duelos, confrontações verbais, cerimônia fúnebre, até morte e fuga que
se revertem. A história tem dores e amores; a história é teatro e é
Shakespeare.