No mundo dos negócios, o livro de Hunter tornou-se uma febre. Sua mensagem de que para ser um bom líder é preciso servir conquistou não apenas profissionais em ascensão na carreira, como também empresários e
executivos de primeira linha. O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Grupo Gerdau, cotado para integrar o ministério no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é fã declarado de Hunter. Em 2005, durante um encontro que reuniu 52 executivos da área de
recursos humanos das
empresas do grupo, cada um dos presentes ganhou um exemplar do livro Consultores experientes da área de recursos humanos também foram fisgados pelo livro de Hunter. Um exemplo é o consultor Luiz Carlos Cabrera, sócio da PMC, empresa especializada em contratação de executivos. 'A questão da liderança é uma encrenca. Há uma dificuldade enorme para entender o que é liderança no mundo todo', diz ele. 'O livro não é só para empresários e executivos. Ajuda as pessoas a pensar na vida, a melhorar a relação entre pais e filhos, marido e mulher, chefe e subordinado.' livro também é de fácil digestão. Livros de negócios, em geral, são vistos como dificeis e chatos. Muitas vezes, vêm cheios de fórmulas indecifráveis pelos mortais. O de Hunter, não. Sob muitos aspectos, sua narrativa lembra a de Paulo Coelho - não apenas porque fala de temas espirituais. Ela flui suavemente, sem exigir do leitor um esforço sobrenatural para seguir em frente. O livro é barato (R$ 20) e fino - tem 139 páginas com letras grandes. É uma característica importante no Brasil, onde a renda de boa parte da população é contada, e o hábito de leitura pouco instalado. 'A Sextante conseguiu fazer o que é o desafio de todo editor - identificou um público e se comunicou com ele',
afirma Sérgio Augusto Lacerda,
diretor da editora Nova Fronteira Talvez nenhum fator seja tão determinante nas vendas do livro de Hunter no Brasil quanto a mensagem que ele transmite sobre liderança - a habilidade de influenciar, motivar e treinar os outros. 'O livro chegou num momento em que as empresas parecem preocupadas em investir mais em valores humanos e espirituais', afirma Cláudio Neszlinger, diretor de recursos humanos da Microsoft, que patrocinou um seminário com Hunter. 'Não acho que James Hunter tenha grandes respostas sobre como ser um líder. Mas ele estimulou uma discussão nova nas organizações'. A liderança tornou-se uma questão crucial nos negócios e na vida nos últimos anos, por causa das grandes mudanças no sistema produtivo. Há algumas décadas, o trabalho intelectual vem se tornando mais valioso. Ao mesmo tempo, o trabalho braçal começou a ser substituído por máquinas. A produtividade deixou de ser medida pelo número de parafusos que um trabalhador apertava por hora, como nas linhas de montagem do início do século XX. O que faz diferença, hoje, é a inovação. Ela não costuma brotar em ambientes autoritários. Não é possível mandar alguém ter uma boa idéia. O máximo que se pode fazer é pedir idéias e selecionar as que agradam mais. Hoje, nenhum líder tem mais condições de lidar com tanta informação. Ele precisa se apoiar nas percepções de seus liderados. Para conseguir isso, segundo estudiosos do assunto, deve dar a eles alguma autonomia sobre o processo de tomada de decisão. Neste mundo novo, muitas empresas não querem mais que os empregados apenas executem uma tarefa predeterminada. Elas precisam de gente que discuta as tarefas, modifique-as de acordo com as circunstâncias e invente outras. Nestes casos, a relação entre
chefes e subordinados não pode mais simplesmente se resumir a mandar e obedecer. Mas, quando se pede que os funcionários sejam líderes, o papel dos chefes é posto em xeque. Eles deixam de ser os donos da informação e ficam perdidos. 'Estamos fazendo a transição da sociedade industrial para a sociedade do conhecimento. É um momento de questionamento de todas as relações que têm desníveis de autoridade''Para quem não está entendendo essa transição, o livro de Hunter é ótimo Fonte: Época
Mais críticas sobre O Monge e o Executivo