POETAS SIMBOLISTAS BRASILEIROS
João da Cruz e Sousa
(Desterro-SC, 1861 – Estação de Sítio-MG, 1898)
Muito cedo,
publicou Tropos e Fantasias em colaboração com Virgílio Várzea. Vítima de preconceitos raciais (era filho de antigos escravos), não conseguiu profissão certa. Viveu quase na miséria, contando apenas com pequenos empregos.
Em 1893, publicou Missal, poemas em prosa, e Broquéis, livro de versos: marcos iniciais do movimento simbolista no Brasil.
Cruz e Sousa é considerado o principal representante do Simbolismo no Brasil. Nos seus versos depreende-se uma linguagem muito rica, exuberante; neles, o poeta expressa seus dilemas, seus sofrimentos, sua humilhação. Os temas giram em torno da vida e da morte, da existência de Deus; volta-se para os marginalizados e miseráveis. Nos poemas longos, especialmente, Cruz e Sousa obtém efeitos sonoros e musicais.
Escreveu ainda os poemas: Vida obscura, Triunfo supremo, Sorriso interior, Monja negra. Além dos citados, deixou-nos os livros: Evocações (1898), Faróis (1900) e Últimos Sonetos (1905).
São características de sua obra:
protesto contra sua condição de negro, desejo de ultrapassar as limitações que a sociedade lhe impõe por causa de sua cor;
defesa dos miseráveis, dos negros e dos humilhados;
obsessão pela cor branca, através do uso freqüente de adjetivos como: alvo, luminoso, claro, etc. e de substantivos como neve, névoa, lírio, marfim, etc.
Alphonsus de Guimaraens
(Ouro Preto-MG, 1870 – Mariana-MG, 1921)
Afonso Henriques da Costa Guimarães (nome verdadeiro) estudou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, e aí se formou em 1895. Foi promotor e depois juiz em seu Estado. Levou uma vida obscura e solitária. Participou do grupo simbolista de São Paulo.
A obra poética da Alphonsus de Guimaraens é acentuadamente espiritualista, impregnada pela atmosfera de rituais religiosos, sonhos e fantasias. É um poeta místico pela forte devoção à Virgem Maria. Em suas obras aparece também a presença de Constança, sua noiva. Sua linguagem é simples, envolvente.
Em 1899, publicou Setenário das Dores de Nossa Senhora, Câmara Ardente e Dona Mística.
Em 1902, Kiriale e, em 1923, Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte, obra póstuma.
Pedro Kilkerry
Foi um dos grandes incentivadores e divulgadores do Simbolismo no norte do país. Sua obra só foi descoberta e valorizada a partir das pesquisas de Augusto de Campos, com o Concretismo.
Usando uma musicalidade forte, dissonante, Kilkerry representa a face mais radical e hermética do Simbolismo
brasileiro.