“COMODERAÇÃO”
Aconteceu no interior de Minas Gerais.
Um homem chamado Teobaldo, vulgo Telin, como era conhecido na região, sofrera um
acidente cujas causas são um tanto quanto atípicas. Telin era comerciante e transportava suas próprias mercadorias.
No caso em questão, vinha numa sexta-feira à noite de uma outra cidade trazendo suas mercadorias. Teobaldo, como homem consciente que é nunca infringia as leis de
transito e nem mesmo imagina algum dia tal coisa. E por conta dessa prudência resolvera voltar pra casa, deixando os seus amigos desconsolados com a desfeita que fizera.
Os amigos de Telin estavam organizando uma festa, só para amigos, que seria realizada naquela sexta-feira à noite e, não pediam, ordenavam que ele ficasse e usufruísse dessa, como amigo muito considerado e indispensável para temperar o evento com o ar da sua graça. Mas, Telin recusara, pois iria
dirigir. De modo que sua participação na festa foi limitada. Apenas acompanhou os amigos numa garrafa de Vodka, da qual, tomara apenas uma pequena dose, Até por que nunca fora de beber muito... Era fraco para bebidas e comidas fortes, inclusive para
feijoada, que o seu amigo fizera especialmente para ele naquele dia.
Pois bem, o inusitado de tudo viria na estrada. Da cidade onde Teobaldo estava até o vilarejo onde morava, eram aproximadamente trinta quilômetros, dos quais na volta percorrera somente doze. Segundo a polícia e os espectadores, o carro de Telin saíra da estrada passando desgovernado pelo acostamento e caindo numa lagoa lamacenta, onde ficara preso e desesperado. Ainda segundo a polícia, e o
exame, não era sensato afirmar que o acidente acontecera por que o motorista estava
embriagado, uma vez que a quantidade de álcool ingerido por Telin, e comprovado pelo exame, era irrisória, incapaz de embriagar uma criança sequer, com o perdão da comparação. Na verdade o que desencadeara toda essa confusão fora a feijoada, ou melhor, a combinação dessas com a dosinha de vodka.
De acordo com Teobaldo, desde que entrara no carro se sentira mal. E que durante o trajeto sentiu que o vômito seria inevitável. Foi quando subitamente, vomitou desesperadamente sobre o pára-brisa, numa inesperada crise convulsiva que acabou resultando no estranho acidente. Teobaldo apenas deslocara uma perna, mas, desde então, tomou medo de feijoada. Analisando toda essa situação, chega-se a inevitável conclusão: “Se beber não dirija”. Se não
digerir ... Não beba.
______________________________________Glaysson Santos
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