Machado de Assis escreveu o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas em 1881, iniciando o movimento Realista da Literatura Brasileira. O livro é narrado em primeira pessoa, pelo defunto-autor em 145 capítulos curtos nos quais percebemos a crítica social, a ironia e a observação psicológica dos personagens. O primeiro capítulo narra a morte do autor e
seu enterro. A causa oficial da morte seria
uma pneumonia mal tratada, mas de fato sua morte deve-se a uma idéia, a idéia da criação de um emplasto anti-hipocondríaco, que tinha por fim aliviar a melancolia da humanidade. Mas o autor admite que não deixou de pensar também nas vantagens financeiras que essa criação o traria.
No dia de seu nascimento, seu pai deu uma festa grandiosa, já que se deu o nascimento de um homenzinho e para a sociedade patriarcal da época isso era um grande feito. Brás narra sua infância de diabruras e que era conhecido como "menino diabo", mas que seu pai só dava importância a essas diabruras na frente dos outros, pois quando estavam a sós o cobria de beijos. Quando tinha 9 anos, houve em sua casa um jantar, quando da comemoração da derrota de Napoleão. Brás, ao terminar o jantar queria doces, mas ninguém lhe dava ouvidos, pois todos escutavam as glosas de Dr. Vilaça. O menino tanto que berrou que foi retirado da mesa. Jurou vingança ao Dr. Vilaça. Numa outra noite Brás estava vigiando o Dr. Vilaça quando o viu beijar a Dona Eusébia e saiu gritando o ocorrido para que todos ficassem sabendo. A seguir o narrador passa a relatar seu período escolar, de como era monotono e cansativo, do encontro com Quincas Borba. Já com dezessete anos, Brás conhece Marcela, uma bela prostituta espanhola e a conquista após muitas jóias e presentes caros. Confessa estar apaixonado e o pai resolve manda-lo estudar na Europa. Diploma-se na Universidade com conhecimentos artificialmente adquiridos e volta ao Rio, onde encontra sua mãe moribunda com um cãncer de estômago. Pela primeira vez na vida a realidade encontra Brás Cubas. A morte da mãe. Vê aquilo como uma injustiça. Após a missa de sétimo dia de sua mãe resolve isolar-se na solidão em uma casa da família na Tijuca, levando consigo seu escravo Prudêncio. Após uma semana de estadia, Prudêncio lhe informa que Dona Eusébia, a senhora que havia ajudado a vestir sua mãe morta, estava hospedada numa casa vizinha com a sua filha. Brás resolve então lhe fazer uma visita. Neste mesmo dia, seu pai lhe faz uma visita trazendo porém duas propostas: a de se candidatar deputado e a de se casar com Vírgilia, a filha do Conselheiro Dutra. Brás visita Dona Eusébia e conhece sua filha, Eugênia, a quem chama de "flor da moita", por tratar-se de filha ilegítima de Eusébia e Vilaça. Brás enamora-se com Eugenia e a beija, mas sabe que não deve se envolver demais com ela, por tratar ela de classe inferior a ele (precoceito da época) e também por ser ela portadora de um defeito de nascença (ser ela manca). Ele vivia repetindo: bela, porém coxa. Resolve terminar o caso com Eugenia e torna a cidade para cumprir os designios do pai. Conhece Virgilia. Nesse ínterim aparece Lobo Neves que rouba de Bras a candidatura e o casamento com Virgilia. O coração de seu pai não aguenta o fracasso do filho e ele vem a falecer meses depois. Depois da morte do pai, Brás entra em litígio com a irmã e o cunhado pela partilha dos bens familiares. No fim da disputa mesquinha pelos bens, os irmãos saem brigados e não se falam mais. Brás reencontra Vírgilia em um baile em sua casa e reata-se a paixão dos dois que passam a se encontrar novamente. Certo dia, foi à casa de Virgilia para propor que fugissem pois queria resolver aquela situação e a encontrou triste, perguntando o motivo, mas neste momento Lobo Neves entrou em casa, e Virgilia reagiu àquela situação friamente e Brás não gostou do modo que ela o tratou. No dia seguinte Virgilia procurou Brás e propôs que arrumassem um lugar para eles se encontrarem pois seus encontros públicos já eram motivos de boatos em rodas sociais. Encontraram na casinha de Gamboa a solução e colocaram lá a Dona Plácida e puderam assim se encontrar com tranquilidade. Nesta época, Lobo foi convidado a ocupar a presidência da provincia do norte, e os amantes anteviram-se deseperados pela separação. Mas Lobo resolveu esta situação, primeiro por convidar Brás a ir com eles como seu secretário, depois por desistir da nomeação, pois em seu decreto de nomeação vinha estampado o número 13 e ele era por demais supersticioso. O casal continua então seus encontros na casa de Gamboa. por esta época, Brás reencontra Quincas, mas numa situação bem diferente que da época da escola, está miserável, um mendigo e, no seu primeiro encontro lhe rouba o relógio. Virgilia diz então estar grávida e Brás não perde tempo para ironizar dizendo ser o embrião de "obscura paternidade". Mas Virgilia perde o filho. Nesta época Lobo recebe uma carta anônima avisando do caso dos amantes, mas Virgilia nega tudo, restando ao marido a desconfiança.Desta vez Lobo recebe um decreto com o número 31 e aceita o cargo. Bras e Virgilia se despedem. As saudades de Virgilia logo foram apagadas com a convivência com Quincas e o aparecimento de Dona Eulalia. A jovem tinha dezenove anos e noivou-se com ela apenas três meses após a partida de Virgilia. Mas Eulalia morreu repentinamente antes do casamento. Quincas reapareceu e está diferente, recebeu uma herança e criou uma filosofia, o Humanitismo em que os homens são iguais entre si pois trazem consigo uma parte da substância original. A partir de então Brás e Quincas se encontram até a morte do narrador. Brás então torna-se deputado. Lobo esta de volta ao Rio. Brás e Virgilia se encontram em um baile e ele a observa, sua beleza está diferente, mas continua bela. Ele está velho, cinquenta anos. Mas Quincas o conforta, é o amadurecimento. Queria ser ministro. Depois de certo tempo recebe uma carta de Virgilia pedindo-lhe que visitasse Dona Plácida, a antiga alcoviteira, que morria na miséria. Dona Plácida morre. Brás resolve fundar um jornal em oposição ao goverrno, pela primeira vez ativo em política, em vez de sua insipidez habitual. Filiou-se a uma Ordem Terceira, que cuidava de pessoas necessitadas, onde encontrou Marcela, que morreu no mesmo dia que ele visitou Eugenia, tão coxa quanto antes, num cortiço. Quincas, que havia partido para Minas Gerais, voltou ao Rio, mas estava louco e pior, consciente de sua loucura. O narrador então conta que entre a morte de Quincas e a sua aconteceram os fatos narrados no começo do livro, inclusive a idéia fixa do emplasto. Então conclui com suas negatividades: não alcançou a celebridade, não foi califa, não se casou, não foi ministro. Mas, a negação também pode ser positiva, não padeceu feito a Dona Plácida ou a demência de Quincas. Mas seu saldo não estava zerado em relação ao mundo. Diz o narrador que ao não ter tido filho seu saldo foi positivo, pois assim não transmitiu a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.
Mais críticas sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas