RESUMO: O
CÉREBRO NOSSO DE CADA DIA – Suzana
Herculano-Houzel
Notícias do
telhado: o que der na telha
é lucro
Suzana Herculano-Houzel, doutora em neurociência e
mestra em ciências, tem um livro muito legal chamado O
cérebro nosso de cada dia. São pequenos artigos que mostram
coisas que se passam na nossa cabeça e não nos damos conta. Na página 152, ela
fala de óvnis e limites da imaginação. Diz que já foi fã de ficção científica e
que enjoou da mesmice: os ETs são sempre os mesmos. E vai adiante revelando
estudos que comprovam que nossa imaginação tem limite, sim. É toda contida pela
experiência do imaginador. Ou seja,
só tem imaginação quem tem, de alguma
forma, prática ou teórica, a experiência do que pretende imaginar. Cito
isso aqui lembrando de Anton Checov, escritor russo, que dizia que o escritor
só devia
escrever sobre o que conhecia bem. Baseando-me no artigo da Suzana
posso dizer que tudo o que você escrever, de alguma maneira é experiência. Não
há como escapar. Se alguém ler e achar que você é muuuuiiiiiito imaginativo,
sorte sua. Significa que sua vivência é muuuiiito variada e muuuuiito rica. Prática
ou teórica, não importa. Se alguém diz que não tem imaginação para escrever
como você, não tem é experiência nenhuma em nada. Cabeça oca, vida oca.
Aí, vem a outra eterna questão (não mais para mim!): o escritor tem que
dominar o que escreve durante todo o tempo? Tem que usar a razão continuamente como controladora
de cada frase, de cada palavra. Bem, Robert Ornstein, no seu livro A evolução da consciência, cita o caso
do falecido piloto Ayrton Senna. Numa corrida em Mônaco – perigoso circuito de
rua –, ele largou na pole-position e foi acelerando mais e mais, até que
parecia estar sobre trilhos, dentro de um túnel. Estava dominado por um piloto automático que o levava a correr
mais e mais. Até que, de repente, num estalo, voltou a si e diminuiu a marcha.
Senna se espantou porque só teve consciência de que corria adoidado depois que
“acordou” e dominou o carro, diminuindo a velocidade.
Estudos revelaram que nós temos, sim, um piloto automático quando escrevemos ou
criamos alguma coisa. Muitas vezes só sabemos que sabemos depois que
escrevemos! “Somos uma espécie de
personalidade múltipla, organizada e controlada, numa extensão limitada, pelo
eu consciente.” Esse eu consciente pode,
depois, dar uma guaribada, claro, cortando ou acrescentando. Isso é o que dizia
Mário de Andrade – a arte é mondar, mais tarde, o texto de repetições
fastientas, supérfluos e coisas que o emperram. Mais tarde, bem entendido,
quando o autor acordar do transe criativo.
Por isso, mãos à obra! Deixe rolar a imaginação e
solte os dedos no teclado. O que der na telha é lucro.
Comente o resumo, dê nota, indique e seja feliz! O
livro da Suzana é bem gostoso de ler. A Editora é Vieira e Lent, mas se você
digitar o nome dela no Google pode achar o blogue dela e ler à vontade.
Abraços, Werneck