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Resumos e revisões curtas

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Shvoong Home>Livros>Palíndromo gigante de Perec

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Palíndromo gigante de Perec

por : RuiWerneck    

Autor : Rui Werneck
RESUMO: PALÍNDROMO GIGANTE DE PEREC – a arte de escrever
uma frase que possa ser lida de trás para frente.  
Um sujeito francês chamado Georges Perec escreveu em
1967 um romance intitulado "La Disparition", onde ele NÃO utilizou
sequer uma única vez a letra E. Me deu vontade de aprender francês só para ler
este livro, já que a tradução certamente não seria tão fiel ao original. Eu sei
que é um motivo bobo para querer se aprender francês, vai ver que esse tal de
Perec era um chato ou simplesmente um maluco que não gostava da letra E, apesar
de seu nome ter quatro vezes essa vogal.
Creio que seja impossível escrever um romance em
português sem utilizar a letra E, enquanto talvez seja muito fácil escrever um
sem a letra W ou mesmo Y, mas acredito que seria um exercício bastante interessante
tentar.
Fazendo uma rápida pesquisa na internet, descobri que
Perec era fascinado por lipogramas, e mais que isso, por qualquer jogo de
palavras. Ele escreveu, além de "La Disparition", "What A
Man!", que, apesar do título em inglês, era em francês e a única vogal
permitida era a letra A. Ele escreveu também o que é possivelmente o maior palíndromo
(tipo Socorram-me, subi no ônibus em marrocos!) do mundo, contendo mais de
cinco mil (!) palavras.
De todas as obras que li a respeito, "La
Disparition" me pareceu a mais interessante: conta a história do
desaparecimento de um sujeito, e do mundo do qual ele desapareceu, onde junto
com ele, desapareceu também a letra E. Ninguém, além do leitor, percebe a
quantidade de substituições, variantes, distorções e truques utilizados por tal
Universo para suprir essa falta.
Vai ver que Perec não era tão chato assim e valesse você
aprender francês para ler suas obras. Encontrei o palíndromo gigante na
internet, só que é muito difícil de traduzir.
Perec tem, já publicados no Brasil, dois livros: O
homem que dorme (1967) e Vida – modo de usar (1978). O primeiro é encontrável
em sebos. É um livro curto, porém com uma prosa caudalosa, poética mesmo.
Alguma coisa como uma espiral que sobre e desce, que dá mil voltas em uma Paris
de sonho, que perambula por frases assim: “Você cresce muitíssimo, explode,
morre, dilacera-se, petrificado: seus joelhos são pedras duras, suas tíbias barras
de ferro, seu ventre um banco de gelo, seu sexo uma estufa, seu coração uma caldeira.
Sua cabeça é um matagal que a neblina invade, véus delicados, redes espessas,
manto pesado...”
Já o segundo é um cult.
Quem tem não vende, não troca, não empresta, não dá. Tentei achar, não
consegui. Tente em sebos pela internet.
Perec nasceu em Paris em 1936 e morreu com apenas 46
anos!
Quando eu era pequeno e assistia desenhos animados,
queria aprender inglês só para ler os créditos finais. Aprendi um pouco e achei
um sem número de outras utilidades na prática dessa língua. Mesmo sem saber muito.
Fiz o mesmo com o francês só para ler um pouco dos poetas mais antigos de lá. E
funcionou. Não tentei ler Perec em francês, mas acho que ele certamente ficaria
contente em saber que sua obra ainda transmite ao mundo o interesse pela língua
de sua amada pátria materna. Amém!
Só para você ter uma idéia de um palíndromo gigante,
são 6370 caracteres, leia o começo e o fim do que Perec fez. Cuidado para não
entortar o cérebro:
9691, edna’d niluom ua cerep
segroeg
Trace
l'inégal palindrome. Neige. Bagatelle, dira Hercule. Le brut repentir, cet
écrit né Perec. L'arc lu pèse trop, lis à vice-versa. Perte. Cerise d'une
vérité banale, le Malstrom, Alep, mort édulcoré, crêpe porté de ce désir brisé
d'un iota. Livre si aboli, tes sacres ont éreinté, cor cruel, nos albatros.
Être las, autel bâti, miette vice-versa du jeu que fit, nacré, médical, le
sélénite relaps, ellipsoïdal. Ivre il bat, la turbine bat, l'isolé me ravale :
le verre si obéi du Pernod -- eh, port su ! -- obsédante sonate teintée d'ivresseve se mit -- peste ! -- à blaguer. Beh ! L'art sec n'a si peu qu'algèbre
s'élabore de l'or évalué. Idiome étiré, hésite, bâtard replié, l'os nu. Si, à
la gêne secrète verbe nul à l'instar de cinq occis--, rets amincis, drailles
inégales, il, avatar espacé, caresse ce noir Belzebuth,
..................
h, tubez ! Le brio ne cessera, ce cap sera ta valise; l'âge : ni sel-liard (sic) ni
master-(sic)-coq, ni cédrats, ni la lune brève. Tercé, sénégalais, un soleil perdra ta bétise héritée (Moi-Dieu, la
vérole!)
 Déroba le
serbe glauque, pis, ancestral, hébreu (Galba et Septime-Sévère). Cesser, vidé
et nié. Tetanos. Etna dès boustrophédon répudié. Boiser. Révèle l'avare mélo,
s'il t'a béni, brutal tablier vil. Adios. Pilles, pale rétine, le sel, l'acide
mercanti. Feu que Judas rêve, civette imitable, tu as alerté, sort à blason,
leur croc. Et nier et n'oser. Casse-t-il, ô, baiser vil ? à toi, nu désir
brisé, décédé, trope percé, roc lu. Détrompe la. Morts : l'Ame, l'Élan abêti,
revenu. Désire ce trépas rêvé : Ci va ! S'il porte, sépulcral, ce repentir, cet
écrit ne perturbe le lucre : Haridelle, ta gabegie ne mord ni la plage ni
l'écart.
Georges Perec
Au Moulin d'Andé, 1969
Espero que tente ler Perec. E que vote no meu resumo,
dê nota, indique para amigos e amigas. Volto com novidades. Abraços, Werneck.
Publicado em: setembro 29, 2007
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