Espumas Flutuantes é a única obra de Castro Alves que teve
a edição revisada pelo autor. O volume contém
poesias lírico-amorosas
e
poesias de caráter épico-social. Ao tratar do amor, Castro Alves
refere-se não só à mulher de forma idealizada, mantendo as tradições do
Romantismo, mas distoa do movimento ao buscar o amor carnal, real e
tingido com as cores do erotismo - "Boa-noite, Maria! É tarde... é
tarde... / Não me apertes assim contra teu seio." (in "Boa-noite").
Ainda dentro das produções líricas, o poeta refere-se à natureza que,
em seus
versos, se torna vibrante e concreta, emoldurada por um sistema
dinâmico de imagens que geralmente são tomadas de aspectos grandiosos
do universo - o mar, os astros, a imensidão ou o infinito. Devem ser
destacados os seus versos de cunho existencial que ganham plenitude
quando apregoam o gozo e os prazeres da vida - "Oh! eu quero viver,
beber perfumes / Na flor silvestre que embalsama os ares (...)
Morrer... quando este mundo é um paraíso, / E a alma um cisne de
douradas plumas" (in "Mocidade e Morte") -, marcando novo momento da
literatura romântica no Brasil que, até então, embebia-se no pessimismo
da geração do "mal do século". Também escreve poesias que valorizam a
técnica e os progressos da humanidade.