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RESUMO: A Unidade do Conhecimento –
CONSILIÊNCIA – Edward O. Wilson
Seria a ciência capaz de explicar tudo?
As informações,
por meio de livros, revistas e documentários de TV, estão ficando, a cada dia,
mais volumosas. Se você separar seu dia em pedaços, um para cada atividade, vai
ver que faltarão horas para tudo. Se quiser estar a par de tudo o que acontece,
vai ter que, primeiro de tudo, desligar a televisão. Parece impossível uma
coisa dessas. E, realmente, é. Mas, não haveria outra maneira de sentar e ler
dezenas de livros que nos trazem ‘as últimas’ notícias sobre quem somos, de
onde viemos e para onde vamos. Para buscar uma possível resposta, o livro de
Edward O. Wilson passeia, ao longo de trezentas e tantas páginas, pelos grandes
ramos do saber, pelas
ciências naturais, pela mente, pelos genes, pela cultura,
pelas ciências
sociais, pelas artes, pela natureza humana, pela religião e, ao
fim, pergunta: para que fim?
Parece
incrível mas, para que avancemos no
mundo, temos que ir cada vez mais ao (suposto)
começo de tudo. E, a partir de lá, examinar cada acontecimento, mudança, reviravolta,
extinção, evolução, fenômeno, etc. Assim, desvendando nossas origens,
acreditamos poder traçar um rumo e um alvo para o futuro/infinito. Algo que nos
permita respirar aliviados e achar justificativa para toda a correria na Terra.
Agora veja:
apenas resumir um livro como Consiliência
já é um trabalho que consome muita energia e tempo. E, logo ali na estante da
livraria, outro autor já está pedindo nossa atenção com outras/novas propostas
de ‘conhecimento e salvação’ do ser humano e do nosso Planeta.
Edward O.
Wilson, que nasceu em 1929, diz que levou três anos para escrever o livro. Some
a isso os 41 anos que lecionou biologia elementar e intermediária na Universidade
de Harward e mais toda a
vida dedicada à
ciência. É um tempo respeitável para
um autor muito respeitado.
O termo consiliência é um dos significados
possíveis para coerência. Com isso,
quer Edward O. Wilson promover uma espécie de unificação de todos os ramos
científicos para o bem da humanidade. Ele acha que a fragmentação do
conhecimento é prejudicial ao fim proposto – o bem da humanidade. De fato, cada
cientista se preocupa, preponderantemente, com seu nicho. Um matemático acha
que uma vida só é pouca para descobrir equações, resolver teoremas, correr
atrás da seqüência infinita dos números. Do mesmo modo se diz que um jogador de
xadrez tem que pensar no jogo vinte e quatro horas por dia, se quiser ser um
verdadeiro mestre.
No jogo de
ir-e-vir, de contras e a favor, Edward O. Wilson mostra os caminhos possíveis
para a unificação, o esforço em conjunto, a troca de informações e tudo mais.
Ele diz que nunca houve no mundo uma época melhor para a colaboração entre
biologia, ciências sociais e humanidades. Porém, aqui uma ressalva minha, hoje
temos uma imensa diversidade de campos de conhecimento. Cada ramo da ciência se
subdividiu em ramos menores que exigem total dedicação por parte do cientista.
Mesmo tendo boa vontade, um geneticista não encontraria tempo para a matemática
pura. E existe uma coisa muito humana
que nos impede de bisbilhotar outros ramos do conhecimento. Existe a inveja, o
egoísmo, o ciúme. Mesmo Edward O. Wilson adverte: a unificação não é popular
entre alguns filósofos profissionais. Eles consideram que o assunto é da alçada
deles, filósofos, e deve ser tratado
segundo a linguagem da filosofia.
O propósito de
Edward O. Wilson é, sem dúvida, salutar. Pensar num mundo onde todo o
conhecimento esteja unificado, compartilhado e passível de ser aproveitado por
todos, é pensar grande. Ao mesmo
tempo, vemos que estamos cada vez mais distantes de um ser humano verdadeiramente humano, como imaginamos
que devia ser. Sim, imaginamos, sonhamos, tornamos a imaginar e a sonhar com
esse ser perfeito, que ama seus semelhantes, que respeita os animais como seres
provenientes da mesma origem, que não atropela o que resta da Terra, que,
enfim, enfim... O fato é que cada pessoa consegue imaginar o ser humano (como
espécie) num topo de perfeição. Cada
pessoa acredita que, com todas as nossas imperfeições individuais, seria
possível compor um ser humano perfeito. Na prática, essa teoria esbarra no mais
cotidiano acontecimento. Por exemplo, um grande cientista, cheio de boas
idéias, ao se dirigir ao seu local de trabalho, acaba xingando um motorista que
apenas esqueceu de dar sinal para virar a esquina. Nem sabe que, no outro
carro, vai outro grande cientista, cheio de idéias que poderiam completar seu
trabalho empacado.
Assim é o
mundo. Se tiver tempo, procure o livro do Edward O. Wilson, da Editora CAMPUS,
e tente entrar no assunto que é empolgante e caudaloso.
Rui Werneck de
Capistrano.
eva o seu resumo aqui.
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