Resumo: O acaso e a necessidade – Jacques Monod
SOMOS FRUTOS DO ACASO E DA NECESSIDADE
Quando
um assunto começa a dominar nosso mundo, é fatal que apareçam dezenas (e até centenas) de discussões sobre ele. À medida que a ciência faz suas descobertas, o volume de informações beira a catástrofe. É verdade. Tome o assunto Gene e verá a quantidade de livros publicados nos últimos tempos. Os cientistas chegaram ao nosso ponto mais crítico: onde a vida começa. E isso virou um palco para as maiores demonstrações de talento ou de baixarias.
Nesse caso, o livro que examino foi originalmente publicado em 1970 na França e, em 1971, no Brasil. Jacques Monod ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1965 e tornou-se uma celebridade mundial pelos trabalhos no campo da Biologia. O resultado está nesse livro que foi comparado, em importância, às obras de Darwin e Galileu.
Claro que não é de leitura fácil. Mas é irresistível. Já sabemos que o
antropocentrismo saiu de cena depois que a Terra deixou de ser o centro do Universo, depois que Darwin nos trouxe de priscas eras como
seres que apenas evoluíram de outros antes existentes. Aí, Monod vai às últimas conseqüências dos fenômenos que nos mantêm vivos.
Os capítulos têm nomes como Objetos Estranhos, Vitalismos e Animismos, Os Demônios de Maxwell, Cibernética Microscópica e outros. Porém, não se deve abandonar a leitura por isso. Monod escreveu para todos os públicos interessados e não só para cientistas. O que quero destacar aqui é apenas um capítulo. O que tem o título de Vitalismos e Animismos.
Quando Darwin publicou o resultado de suas pesquisas com sob o título Origem das Espécies, o mundo mudou. E, assim, diversos outros cientistas e sociólogos logo pegaram carona nas descobertas de Darwin. Foi dessa maneira que Karl Marx, que por seu lado fazia outra revolução nas ciências sociais, viu na seleção
natural mais um motivo para afastar Deus do caminho do socialismo. Marx sentiu necessidade de apoio para suas questões econômicas e a evolução veio a calhar. Ele acreditou que poderia prever o
fim da sociedade de classes com base na evolução do mundo. Um pensamento mais ou menos assim: Oras, se tudo evolui e se transforma em outra coisa, a sociedade de classes deverá evoluir até acabar. Monod contesta isso afirmando uma coisa que é muito simples de entender: a evolução não tem nenhum projeto. Ou seja, você pode, vendo tudo o que está no mundo, estudar e ver de onde cada ser evoluiu. Porém, se estivesse lá no começo do mundo, jamais poderia prever o aparecimento do ser humano.
A natureza não faz planos, simplesmente evolui conforme o meio ambiente e a mutação dos genes.
Monod diz: “A tese que apresentarei aqui é a de que a biosfera não contém uma classe previsível de objetos ou de fenômenos, mas constitui um acontecimento particular, de certo compatível com os primeiros princípios, mas não dedutível desses princípios. Portanto, essencialmente
imprevisível.”
Marx talvez não soubesse disso e apropriou-se da teoria da seleção natural para fins econômicos e sociais. O sociólogo Tom Capri acaba de publicar A Miséria da Ciência sobre o assunto
dialética, tão caro a Hegel, Marx e Engels. A dialética seria uma espécie de guarda-chuva que cobriria todo o Universo e teria condições de nos fazer ir até a essência dos objetos, dos seres vivos e dos fenômenos. Mas, segundo Monod, a natureza não é, de modo nenhum, dialética. Vale você conferir.
Deve ter edição mais nova do livro do Monod. Vale a penaler e, depois, procurar outros livros que acumulam novas informações sobre o assunto.
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