Resumo: O GENE EGOÍSTA – Richard Dawkins
AGRESSIVIDADE: NOSSA INIMIGA INDIFERENTE
Por que todos os
animais praticam alguma espécie de agressão contra seus semelhantes ou habitantes do mesmo nicho ecológico? A primeira resposta pode estar na ponta da língua, ou melhor, na própria boca. Todas as espécies vivas precisam de alimentos. A cadeia alimentar engloba todos os
seres vivos (inclusive os vegetais) de alguma maneira. O cervo come grama, o leão come o servo, e os animais inferiores atacam o leão. Por animais inferiores quero dizer apenas que são de menor tamanho, pois não existe uma escala que determine inferioridade nas espécies. Uma ameba é tão bem preparada como um ser humano para viver. Logo, ela não é inferior no sentido pejorativo do termo. Bem, os leões são atacados por moscas que depositam seus ovos em alguma ferida, e as bactérias infestam todo e qualquer ser vivente. Dessa maneira, a primeira resposta, a mais simples, já está dada: alimentação.
Quando vemos na televisão documentários sobre animais, com todo o tipo de “violência”, sempre nos espantamos. Não faltam perguntas: como pode um bicho atacar com tanta ferocidade assim? Os cientistas ligados à Etologia (que estuda comparativamente o
comportamento humano e dos outros animais) pesquisaram e pesquisam todas as maneiras esclarecer a agressividade. Um etologista famoso chamado Konrad Lorenz chegou a uma conclusão: o homem, assim como muitos animais, tem um impulso inato do comportamento agressivo com relação a sua própria espécie. Salientou, entretanto, que o homem é mais agressivo, pois dispõe de armas artificiais em suas mãos. E isso aumenta seu potencial mortífero. Não é novidade. Basta pensar em todas as guerras que já aconteceram no mundo.
Tudo o que escrevi até aqui parece apenas uma introdução ao resumo propriamente dito. Acontece que Richard Dawkins introduziu na biologia um conceito intrigante: o gene egoísta. É tema do livro do mesmo nome e põe muita lenha na fogueira da agressividade. Para Dawkins o que devia nos surpreender mais seria o comportamento altruístico (contrário do agressivo), ou seja, aquele que faz com que alguns
humanos se atirem dentro de um rio, mesmo não sabendo nadar, para tentar salvar alguém. Por que isso? Por que, depois de muitos estudos, Dawkins chegou à conclusão que nós (e todos os seres vivos) somos apenas máquinas genéticas. Ou seja, somos máquinas que se autoconstróem apenas para que os genes sejam perpetuados. Logo, aquele impulso inato descoberto por Konrad Lorenz vem dos genes! Não deixa de ser uma questão que deixa muita gente perplexa!
Oras, sabemos que a Terra já não é mais o centro do Universo, que a seleção
natural (evolução) afastou a possibilidade de um Deus criador, que descendemos de seres primatas, e, agora, que somos apenas joguetes dos genes! Toda a nossa empáfia, nosso orgulho, nossa inteligência e nossa cultura ficam nas mãos de ínfimos seres replicantes! Dawkins nos diz que os genes querem ser eternos e fazem de tudo para que isso aconteça. O contra-ataque a invasores, a defesa da prole, a briga pelo direito de se reproduzir, a defesa do território, a preocupação com a comida, etc. – tudo o que acontece com as máquinas genéticas é indiferente para os genes. Eles não têm preocupação com Bem e Mal. Acontece e fim. Cada
animal (e vegetal também) evolui de modo que sua espécie seja preservada, pois dentro da espécie estão os genes que serão perpetuados.
O que devemos ter em mente é que tudo, absolutamente tudo o que existe, foi nomeado e conceituado pelo ser humano. Nós demos nomes a tudo, adjetivamos, colocamos em ordem (gênero, família, espécie, classe, etc.), fazemos correlações e tudo mais. Logo, o comportamento de tudo o que existe só pode ser descrito de acordo com o ponto de vista humano! Nós é que dizemos que um animal é traiçoeiro, malandro, amigo ou isso e aquilo. Perante a natureza, eles são o que são. Nem nomes teriam! Se dizemos que os genes são indiferentes à agressividade dos seus portadores, temos que ver que a palavra indiferentes é nossa criação, também. Se algum dia o segredo da vida (Para que toda essa correria louca?) for desvendado, a palavra indiferentes poderá ser trocada por outra. Outra que nem sequer vislumbro no mais completo dicionário. (Voltarei ao assunto).
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