Um livro em que a poesia não é meramente transfigurada, como também metamorfoseada num amálgama
de visões a um só tempo esplendorosas e bizarras. Rimbaud, ao escrever sua
obra-prima - e embora a mesma seja surpreendentemente breve -, certamente estava à procura de algo que ainda não tivera o deleite ou o desplante de experimentar. Com ela, no entanto, experimentou tudo. Da vidência pura à sabedoria poética, algumas passagens lembram Nietzsche em sua crueldade e desprezo pelos princípios humanos coagidos pela moral. O leitor se perderá por entre as rimas eventuais e exuberantes intercaladas em algumas partes e se comoverá com a puerícia da linguagem rimbaudiana. Enfim, uma obra não apenas escrita, mas que se esvaiu de cada póro da sensibilidade visionária do gênio precoce.