Neste livro encontramos três breves ensaios sobre a
leitura e a titulo de ilustração, da seu exemplo pessoal do que estamos
chamando de
leitura ampliada. Ele se utiliza a própria experiência com a leitura para demonstrar a importância da riqueza do
mundo que antecede ao aprendizado do que ele chama de leitura da “palavramundo” Para Freire em “ “... os ‘textos’, as ‘palavras’, as ‘letras’ daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros, na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Os ‘textos’, as ‘palavras’, as ‘letras’ daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro nas flores - das rosas, dos jasmins - do corpo das árvores, na casca dos frutos”. Paulo Freire diz ainda: “Mas, é importante dizer, a ‘leitura’ do meu mundo, que me foi sempre fundamental, não fez de mim um menino antecipado um homem, um racionalista de calças curtas. A curiosidade do menino não iria distorcer-se pelo simples fato de ser exercida, no que fui mais ajudado do que desajudado por meus pais. E foi com eles, que comecei ser introduzido na leitura da palavra. Fui alfabetizado no chão do quintal de minha casa, (...) com palavras do meu mundo e não do mundo maior dos meus pais. O chão foi meu quadro-negro; gravetos o meu giz. Na escola se vivência a leitura da palavra, da frase, da sentença, jamais significou uma ruptura com a ‘leitura’ do mundo. Com ela, a leitura da palavra foi a leitura da ‘palavramundo’”.(FREIRE, 1992, pp.13-15). A compreensão do ato de ler, não se esgota na decodificação pura da palavra ou da linguagem escrita, mas se antecipa e se alonga na inteligência do mundo.
“A leitura do mundo precede a leitura da palavra” (
op. cit.).