Depois do masculino, é a vez de Marino
Livolsi falar de “moda, consumo e mundo jovem”, ele vai expor a moda
como
símbolo maior da sub-cultura dos jovens. Segundo o autor, a moda é uma
espécie
de manifesto contra
sociedade, é uma forma de recusar-se a ser
padronizado.
Livolsi expõe a psicologia do vestir como um elemento que caracteriza
as
“limitações socioeconômicas” e o consumo atua no âmbito da perda do
significado
do vestir para a juventude. Para tal, o autor faz uma rota entre
algumas tribos
urbanas que encontram seus grandes referenciais no vestir. Mas
o que são as tribos urbanas? O conceito de tribos urbanas, nas pequenas
sociedades, se resumia a uma forma de organização social, gerando uma
clara
definição dos patamares sociais alcançados pelos indivíduos. Esse
conceito na
sociedade contemporânea se estende cada vez mais, tendo sido acentuado
pelo
“fenômeno” da globalização. O princípio da globalização seria de
homogeneizar a
sociedade, porém acabou por projetar um fenômeno exatamente oposto ao
que foi proposto
inicialmente, que podemos chamar de particularização de grupos
socioculturais.Podemos explicar como uma condição de desamparo perante
a sociedade, pois o indivíduo sente sua perspectiva de ser único e
individual
ameaçada ao tentar fazer parte de uma sociedade homogênea, cheia de
valores e
padrões pré-estabelecidos aos quais nem sempre é possível se encaixar.
Sendo
assim o indivíduo inicia sua busca por semelhantes, grupos de pessoas
que
compartilhem dos seus valores, idéias, preferências, onde ele possa,
finalmente, fazer parte de um “pequeno” grupo social, que podemos
chamar de
tribos urbanas. Essas tribos apresentam-se na sociedade de diversas
formas, que
chegam até ao uso de preconceito e violência. E ao contrário das
antigas tribos
que se uniam para formar alianças com outras, as tribos urbanas são
quase
sempre rivais, evitando contato com outras, marcando seus “territórios”
onde se
reúnem com outras pessoas que também se encaixem em seus padrões, e até
mesmo
os locais onde fazem suas compras, é importante citar que hoje existem
lojas
que tem como ícone à figura do surfista, da patricinha, do clubber,
entre
tantas outras.
Francesco Alberoni vem com a proposta
do colocar o vestuário “burguês” como um vestuário pacifico, ou seja,
um
vestuário que transmite sobriedade, seriedade, credibilidade. Alberoni
associa
os tons cinzentos da roupa do homem burguês com o sistema capitalista.
E sendo
assim, só existiram mudanças no vestuário masculino se a estrutura for
alterada, se houver uma burocratização. O homem é tido como
desumanizado em
local de trabalho quando assume seu visual burguês acinzentado, ele
torna-se
moda quando se despe do visual “pronto para vestir” e assume suas
preferências.
Gillo Dorfles fala se determinados
adornos do corpo masculino que devem ser considerados pela tentativa do
homem
em transformar seu corpo nu em um corpo mais atraente, sendo assim, o
autor nos
fala que o homem “esteticizou” seu corpo com tatuagens, colares, entre
outros,
na tentativa de colocar o corpo nu como um instrumento agradável.
Giorgio Lomazzi é o fechamento do
livro falando sobre “Um consumo Ideológico”. Segundo Lomazzi, a
publicidade tende a transformar o homem em um objeto, ele expõe moda e publicidade,
como
manifestação de caráter estético e um fenômeno aparentemente
utilitário,
respectivamente. A moda vem com um desejo ambíguode se manter
individualizado
e ao mesmo de ser aceito no grupo social, e a publicidade por sua vez
da uma
falsa impressão ao indivíduo de liberdade de opção. Para ele a moda é
apenas
uma adesão a um modelo padronizado pela sociedade, ou seja, a moda é
adequar-se. A Publicidade cria uma realidade surreal, aonde tudo é
perfeição, sem
surpresas, sem o inesperado, gerando a pseudo-necessidade (desejos que
são tão
influenciados pela Publicidade, que dão a impressão de que são
necessidades),
que nunca é totalmente satisfeita, à medida que a realidade ideal não é
a que
vivemos.