Quem não conhece o
" Diário de Anne Frank"? Ou melhor dizendo: Quem não conhece Anne Frank?
Este livro
é mundialmente conhecido e o mais interessante é que é apenas escrito por uma menina de catorze anos, que teve que
viver fechada num anexo com mais 7 pessoas durante cerca de dois anos.
Anne Frank conta-nos através do seu
diário a crueldade e a frieza com que os judeus eram tratados na época, demonstrando uma
face repugnante da raça humana, tal como as vivências que todas as adolescentes passam: os seus medos, as suas novas experiências, a vontade de se exprimirem perante o mundo, a vontade incontrolável de viver e de aproveitar a vida ao máximo...
Desde a primeira página até a última este livro cativa qualquer pessoa, não só por ter sido um facto veridico, como por a nossa imaginação a funcionar verdadeiramente: Como será ter que controlar ao milimetro o que comemos? ter que partilhar o quarto com pessoas que não da nossa familia? ter os pais vinte e quatro horas por dia a "controlar" os nossos passos? não poder apanhar ar fresco, nem por breves instantes? ... Enfim:
Como será ter que viver escondido, simplesmente, para podermos sobreviver?
Por mais que pensemos no assunto nunca chegaremos a esta realidade, pois ela não é, de todo, comparável com o modo de vida actual.
Não é irónico Anne mencionar por diversas vezes o facto de querer ser escritora e, anos depois de morta, o seu diário ser alvo de interesse e curiosidade perante todo o mundo? A sua casa ser feita num museu? A sua vida ser fascinante, mesmo com todo o terror que a envolve? Se com apenas a sua idade escreveu um diário inteiramente cativante, não só pelo assunto, como pela sua escrita, como teria sido o seu futuro como escritora?
"Mr. Bolkestein (...) disse que depois da guerra seria feita uma colecção de diários e cartas relacionadas com a guerra. (...) Imagina como seria interessante se eu publicasse um romace sobre o Anexo Secreto (...) Os meus diários com certeza que não serão de grande utilidade para Mr. Bolkestein" "Há muito tempo que sabes que o meu maior desejo é ser jornalista e, mais tarde, uma escritora famosa (...) De qualquer modo, depois da guerra gostava de publicar o livro intitulado O Anexo Secreto . Resta saber se conseguirei, mas o meu diário pode servir de base."
Anne Frank,
a menina irriquieta e faladora do anexo secreto, faleceu pouco tempo antes da libertação do seu campo de concetração - Bergen-Belsen - com a epidemia de tifo, deixando de viver todos aqueles sonhos que tivera, sonhos perfeitamente concretizáveis, visto ser honesta, inteligente, cumpridora dos deveres e apaixonada pela vida. Despertava sempre sentimentos em todos aqueles que a rodeavem:
inveja ou alegria.