ROMANTISMO NO BRASIL: AUTORES DA PRIMEIRA GERAÇÃO
Visconde de Araguaia
(Rio de Janeiro – RJ, 1811 – Roma-Itália,
1882)
Domingos José Gonçalves de Magalhães (Visconde de Araguai) exerceu função diplomática, foi historiador, dramaturgo e poeta. Formou-se em Medicina, foi professor de Filosofia no Colégio Pedro II e ministro em Washington e em Roma, junto à Santa Sé.
Fundou, em Paris, a revista Niterói – Revista Brasiliense, com o propósito de divulgar a reforma romântica de nossas letras; era intenção de Gonçalves de Magalhães reformar a vida literária em nosso país, de acordo com os ideais românticos.
Gonçalves de Magalhães publica, em Paris, em 1836, Suspiros Poéticos e Saudades, considerado o primeiro livro romântico brasileiro. Essa obra tem valor histórico uma vez que é de grande importância para o estudo da introdução do Romantismo no Brasil e da reforma nacionalista da nossa
literatura.
Gonçalves de Magalhães era também um poeta épico. Escreveu, em 1856, A Confederação dos Tamoios, poema em dez cantos, versos decassílabos, estrofação livre. Nele o poeta trata das lutas dos tamoios contra o povo colonizador, nas quais Anchieta e Nóbrega assumem um papel de grande importância.
Tentou o cultivo de todos os gêneros:
_ novela: Amãncia (1844);
_ poesia lírica: Suspiros Poéticos e Saudades (1836);
_ poesia épica: A Confederação dos Tamoios (1856);
_ teatro (em verso): Antônio José ou o Poeta e a Inquisição (1839).
Antonio Gonçalves Dias
(Caxias – MA, 1823 – São Luis – MA, 1864)
Descendente de três raças, pois era filho de português e cafusa (mestiça de negro e índio), Gonçalves Dias transmite em sua obra a marca dessa origem.
Estudou na Europa, em Coimbra, onde concluiu o curso de Humanidades e se diplomou em Direito. Aí viveu catorze anos de sua curta existência.
Poeta de fértil imaginação e acentuada sensibilidade, lança, em 1846, seu livro da estréia: Primeiros Cantos. O indianismo é nota marcante na obra de Gonçalves Dias. Embora não tenha sido ele o introdutor deste tema na poesia brasileira, é considerado o maior autor
indianista brasileiro.
O índio em seus poemas é interpretado como um herói dentro de um cenário vivo e exuberante. Gonçalves Dias defende-o da dominação dos brancos invasores.
Deixou o que há de melhor na poesia indianista brasileira: I-Juca Pirama. Escreveu também Os Timbiras, poemas incompletos em versos brancos . Parte dele se perdeu no naufrágio do navio Vile de Boulogne, que levou à morte o poeta quando voltada da Europa.
Ao lado da poesia indianista, Gonçalves Dias escreveu belas páginas líricas. Muitos temas e formas de sua poesia servirão de modelos para autores de períodos posteriores ao Romantismo.
A temática de Gonçalves Dias
Poesia indianista
O indianismo expressava o tipo ideal do homem brasileiro. Uma vez que na literatura brasileira não apreciam os heróis típicos da Idade Média, nossos escritores românticos exaltavam em suas obras a figura do índio, cultivavam o mito do “bom selvagem”, segundo Jean Jacques Rousseau. Este tema do índio, na literatura brasileira, em várias fases: na barroca, em certos autos de Anchieta; na fase arcádica, o índio é valorizado nas obras Uraguai e Caramuru; na fase romântica, com Gonçalves Dias, no poema I-Juca Pirama.