Esta é uima novela maravilhosamente escrita, que põe em questionamento
a questão da convivência entre sentimentos e
idéias e abre um diálogo
em torno da coerência entre os valores que se proclamam em
qualquer doutrina: o conjunto das idéias e a prática das pessoas que as
pregam. Hans Schnier é um jovem palhaço que a mulher que ama, a única
que ele sente que pode amar, o deixou porque optou por outra relaçao em
que ela poderá viver de acordo a certas convenções que para ela são
muito importantes. Fatos que para Hans, sem querer desprezar, tem sido
pelo menos incompreensíveis.
Hans está profundamente triste e sua carreira se encontra afetada,
começa a sofrer revezes e a receber críticas contrárias. Quando começa
o relato, Hans está chegando a sua cidade natal, abatido, com total
incerteza a respeito de seu futuro. Cheio de questionamentos e
carências afetivas e materiais. Ao longo da novela, Hans aprofunda do
riquíssimo monólogo interior às conversações que mantém com alguns
personagens, que por uma ou outra razão, são muito significativos para
ele.
Constantemente se questiona e questiona os outros a cerca dos grandes e
dos pequenos temas: o amor, a religião, a política, as relações
afetivas, o dinheiro, o poder, a guerra: vai realizando um crescimento
interior, que o leva, quase imperceptivelmente, ao grande final,
impecável, que será seu modo de resolver qualquer contradição.
Hans encontra a maneira de não trair os princípios que acredita e de
não trair-se naquelas que deseja. Um engano que afastaria muitos de
seus leitores. Com humor, com ironia, com muitíssima ternura, Böll dá
vida a um personagem querido, a uma história poética e a uma profissão
de valores e uma crítica lúcida muito atual da sociedade contemporânea.
Para mim o mais belo desta alquimia perfeita, é o fato de ter um final
muito diferente daquele de a toda orquestra, muito artesanal e
minucioso. Böll deixa claro que as decisões pessoais são as que criam
outra sociedade e outra forma de vida que sejam possíveis.