Partindo dos relatos de Giuseppe Baretti, José Gorani, Dumouriez, William Dalrymple, Artur William Costigan (pseudónimo de
James Ferrier), Bombelles, William Beckford, James Murphy, Carrèrre, M. Link, Robert Southey e Carl Israel Ruders, as autoras recriam uma Lisboa vista pelos olhos destes estrangeiros, caracterizados como “letrados, aventureiros e aristocratas”, que visitaram a capital no século XVIII.
Os relatos de viagens, tão populares nesse século, possibilitaram a recolha de uma informação de qualidade, excelente para a composição de um quadro muito rico de pormenores e também de humor.
O livro encontra-se organizado em três grandes capítulos, que cobrem o espaço, os grupos sociais e os costumes, analisando aspectos como o clima e o alojamento, o modo de vida da nobreza e do clero (mas igualmente de mendigos e vadios), bem como os hábitos, do vestuário à alimentação, das práticas religiosas às festas profanas.
Facto incontornável é, obviamente, o terramoto de 1755, com a marca indelével que deixa na capital, presente no medo que permanece nas pessoas, mas igualmente em aspectos caricatos como a insólita “Barraca Real”, casota pré-fabricada prontamente adoptada pela nobreza, mesmo por aquela cujas habitações não tinham sido afectadas pelo sismo.
As interessantes notas biográficas sobre os autores citados ajudam-nos a melhor entender algumas das opiniões por estes emitidas sobre a respectiva experiência portuguesa.
Igualmente interessante, para aqueles que pretendem aprofundar o tema, é a bibliografia que se encontra no final deste livro.
Ficha Técnica
Título: Lisboa Setecentista Vista por Estrangeiros
Autores: Piedade Braga; Teresa Rodrigues; Margarida Sá NogueiraEditor: Livros Horizonte, 1992